MATÉRIA PUBLICADA NO JORNAL A TARDE EM 31 DE AGOSTO 2010

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Wagner enaltece realizações e mudança de projeto político

31/08/2010 às 22:28
Danielle Villela, do A TARDE On Line

Último convidado da série de sabatinas realizadas pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Bahia (OAB-BA), o atual governador Jaques Wagner (PT) utilizou grande parte de seu discurso nesta terça-feira, 31, para enaltecer a mudança de projeto político realizada na sua gestão. “Estamos construindo um Estado mais democrático tanto do ponto de vista institucional, como social”, ressaltou. Para o candidato à reeleição, os programas sociais são “o sangue da economia” e “não há democracia com desigualdade”.

O governador valorizou os resultados de projetos como o Água para Todos, Luz para Todos e Todos pela Alfabetização (Topa), além de destacar realizações do “Minha Casa, Minha Vida” e a recente inauguração do Hospital da Criança em Feira de Santana. “As pessoas estão acostumadas a só olhar para vitrine”, disse, afirmando rebater cobranças por grandes obras.

Wagner acredita, no entanto, que a maior obra de seu governo foi ter efetuado “uma mudança na forma de fazer política”. “Hoje o jogo político na Bahia é muito mais interessante […] Essa obra imaterial é de suma importância”, avalia.

Apesar de ter dado grande destaque às suas realizações, o governador não conseguiu se esquivar das críticas na área de segurança pública. “Confesso que acho uma vergonha as condições de muitas delegacias no interior”, admitiu. O petista propôs a aplicação de penas alternativas para pequenos delitos como uma das iniciativas para esvaziar delegacias e presídios.
"Confesso que acho uma vergonha as condições de muitas delegacias no interior", diz Wagner

Segurança pública - O candidato também afirmou que pretende contratar mais policiais militares, delegados e escrivães em um eventual segundo mandato, além de adquirir novas viaturas e equipamentos. “Vamos ampliar o investimento na área de segurança. Não tem jeito, vamos ter que ampliar para resolver isso”, assumiu.

Para Wagner, o crime na Bahia, no entanto, não possui a mesma organização, “do ponto de vista estrutural” da existente em outros estados. “A nossa criminalidade está muito distante da criminalidade do Rio de Janeiro”, comentou. O governador afirmou ainda desconhecer áreas de Salvador que sejam controladas por traficantes. “Nessa capital, não tem nenhum lugar que a Polícia Militar e Polícia Civil não entrem”, sustentou.

A polêmica envolvendo a campanha governamental contra o consumo de crack, com o slogan“É cadeia ou caixão”, voltou a ser comentada na sabatina. “É tratamento de choque mesmo. O crack é altamente letal e destrutivo, altamente criador de dependência. Quer que eu brinque?”, provocou. Wagner classificou a questão como “a peste da sociedade moderna” e defendeu um amplo processo de conscientização. “Quem conhece sabe, é devastador. [O tratamento] é muito duro e a taxa de reincidência é de 70%”, afirmou.

O candidato considera “óbvia” a necessidade de clínicas de reabilitação e ressaltou a importância do combate ao tráfico de drogas nas fronteiras. “A droga é um problema nacional, temos que fazer uma parceria com a Polícia Federal”, sugeriu.

Sistema judiciário
- A proposta de criação de um Tribunal Regional Federal na Bahia, ponto de grande interesse dos advogados, também foi defendida por Wagner. “Acho que é uma maluquice a 1ª Região ter a abrangência que tem”, opinou. O tema foi gancho para o governador comentar o posicionamento da Bahia no Nordeste, outra questão na qual vem sendo amplamente criticado pelos adversários. “Só não gosto de falsas polêmicas, porque agora tá na moda ter ciúmes de Pernambuco”, ironizou. Wagner afirmou que não fica “nervoso” com o sucesso de outros estados do Nordeste.

O governador defendeu uma política de desenvolvimento regional como uma alternativa à prática da “guerra fiscal” para a atração de empreendimentos. “Hoje para a Bahia, a renúncia fiscal é mais problema do que solução. Quanto maior e mais complexa a economia de um estado, vai ficando mais difícil”, argumentou.

Propostas - Wagner falou pouco sobre as propostas para um eventual segundo mandato, mas destacou a construção de um novo estádio no bairro de Cajazeiras e construção de hospitais especializados em infectologia e oncologia na capital. O petista também prometeu, ainda para este mandato, a apresentação do projeto da ponte Salvador-Ilha de Itaparica. “A ponte que muita gente acha que é brincadeirinha, o projeto fica pronto em novembro. Vai sair com planejamento urbano para a Ilha”, afirmou.

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